casulinho
Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Hoje embananou tudo, não pude sair pra almoçar, não avisei ninguém. Tou aqui concentradíssima no trampo, ouço o assobio do Memo no portão. Tá lá paradim, todo feliz, balangando uma sacolinha com coca-cola, kinder bueno e misto quente pra mim. Amor é isso.
Segunda-feira fui ao banco, levar a papelada para receber o pagamento de uma das agências para quem presto serviços. Pra variar, a atendente virou o sistema pelo avesso e não conseguia localizar a ordem de pagamento.
Eu:
-Vai, fia, procura direito, a ordem foi feita na sexta-feira, é de XXX doletas.
-Não tá aqui.
-Tá sim, procura melhor.
-Não tem nenhuma ordem de XXX dólares pra você aqui.
E eu passando mal, porque todo santo mês é a mesma coisa: neguinho fica ali, batendo boca comigo e procurando no lugar errado, até que resolve chamar a única criatura dentro da agência que manja de ordens de pagamento do exterior, que vem e resolve tudo em dois cliques.
-Não tem ordem de sexta-feira, Priscilla.
-Ô meu Jesuis Cristinho...
-Tem só uma de XXXXXXX dólares, de outro remetente.
-Acuma? Quando foi feita?
-Em janeiro.
-XXXXXXXXX dólares? (Tipo o dobro?) Disponível?
-Sim, você só precisa trazer a fatura.
Chorei, ri, chorei de novo. A moça ali na minha frente, de zói arregalado.
Eu:
-Moça, corre.
-Por quê??
-Porque eu vou te beijar na boca.
Nem consegui ficar com ódio mortal por eles não terem me avisado que a ordem estava disponível desde janeiro e que nesse período todo eu só comi salsicha comprada fiado na padaria. Nem espumei por estar cobrando o cliente desde outubro e só receber pedido de desculpas, dizendo que só teria dinheiro pra me pagar em março. Nem. A grana tá lá, uhu!
Agora só falta orar com muita fé para a casa de câmbio liquidar as duas ordens em prazo de gente. Mas já que eu tou com essa sorte toda, né...;)
Eu:
-Vai, fia, procura direito, a ordem foi feita na sexta-feira, é de XXX doletas.
-Não tá aqui.
-Tá sim, procura melhor.
-Não tem nenhuma ordem de XXX dólares pra você aqui.
E eu passando mal, porque todo santo mês é a mesma coisa: neguinho fica ali, batendo boca comigo e procurando no lugar errado, até que resolve chamar a única criatura dentro da agência que manja de ordens de pagamento do exterior, que vem e resolve tudo em dois cliques.
-Não tem ordem de sexta-feira, Priscilla.
-Ô meu Jesuis Cristinho...
-Tem só uma de XXXXXXX dólares, de outro remetente.
-Acuma? Quando foi feita?
-Em janeiro.
-XXXXXXXXX dólares? (Tipo o dobro?) Disponível?
-Sim, você só precisa trazer a fatura.
Chorei, ri, chorei de novo. A moça ali na minha frente, de zói arregalado.
Eu:
-Moça, corre.
-Por quê??
-Porque eu vou te beijar na boca.
Nem consegui ficar com ódio mortal por eles não terem me avisado que a ordem estava disponível desde janeiro e que nesse período todo eu só comi salsicha comprada fiado na padaria. Nem espumei por estar cobrando o cliente desde outubro e só receber pedido de desculpas, dizendo que só teria dinheiro pra me pagar em março. Nem. A grana tá lá, uhu!
Agora só falta orar com muita fé para a casa de câmbio liquidar as duas ordens em prazo de gente. Mas já que eu tou com essa sorte toda, né...;)
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Gente, tá muito esquisita a coisa.
Entre outubro e dezembro do ano passado, eu e o Memo, juntos, deixamos de receber um dinheiro bem gordinho, relativo a serviços que prestamos e entregamos à risca.
Tentando compensar o rombo, ignorei meu cóccix lascado (não operado) e a necessidade de repouso e trabalhei mais, pra outros clientes, até ferrar com os olhos e os braços também. Não adiantou nada, continua tudo um furdunço, o rombo só fez crescer e as perspectivas são nebulosas.
O preocupante não é a falta de trabalho. Tem muito trabalho, despencando no colo dos lugares mais inesperados. O preocupante é trabalhar, trabalhar, trabalhar e não conseguir receber de ninguém. Eu bem que tentei ignorar a tal crise, mas a mardita me alcançou. A solução? Trabalhar mais ainda.
Comecei a fazer um curso de dublagem pelo mero interesse em entender melhor o processo, melhorar minhas traduções e facilitar a vida dos dubladores que trabalham com meus roteiros. Pois num é que acabei descobrindo um talento? Semana passada me diverti à beça fazendo vozes de desenho animado! E ainda descolei mais trabalho, pois o dono do estúdio estava precisando de tradutores. (E como o mundo é um ovinho de codorna, estávamos ali trocando figurinhas e ele me contou que anos atrás tomou um hiper-ultra-mega-blaster calote do mesmo cliente que me deu o rodo no fim do ano. Meda, viu.)
A reforma do escritório acabou - ficou bem maior do que o previsto e acabamos tendo de pedir penico pro dono do prédio, que bancou a finalização da obra. (Vou mandar fazer uma camiseta de "eu amo o z***". Não fosse ele um cara tão acessível, essa história de escritório já teria ido pelo ralo). Então, tirei essa semaninha de folga pra solidificar o célebro e segunda-feira começo no cafofo novo - mas antes vou plantar arruda, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge e pimenteira ali no canteirinho da frente, que não custa nada.
Outra coisa que aconteceu esses dias e me deixou meio passada foi uma coceira infernal que apareceu na Júlia. Trata daqui, trata dali, pensamos que fosse alergia alimentar. E. Era. Sarna. Sarna, minha gente. Pegou aqui dentro de casa, no quarto do Zé. O médico explicou que escabiose é típica de gente que não toma banho e passa muito tempo sem trocar de roupa, e como a Júlia não vai a lugar nenhum, foi só fazer as contas... E foi o fim. Depois de sete anos, não tenho como e já nem quero mais tentar lidar com essa situação. Cansei de procurar ajuda de parentes, de assistente social, de clínicas de recuperação. Todo mundo tira da reta, inclusive ele. Então, amanhã ele sai daqui. Meus filhos vêm primeiro, sorry. Nem por isso a decisão fica mais fácil.
Entre outubro e dezembro do ano passado, eu e o Memo, juntos, deixamos de receber um dinheiro bem gordinho, relativo a serviços que prestamos e entregamos à risca.
Tentando compensar o rombo, ignorei meu cóccix lascado (não operado) e a necessidade de repouso e trabalhei mais, pra outros clientes, até ferrar com os olhos e os braços também. Não adiantou nada, continua tudo um furdunço, o rombo só fez crescer e as perspectivas são nebulosas.
O preocupante não é a falta de trabalho. Tem muito trabalho, despencando no colo dos lugares mais inesperados. O preocupante é trabalhar, trabalhar, trabalhar e não conseguir receber de ninguém. Eu bem que tentei ignorar a tal crise, mas a mardita me alcançou. A solução? Trabalhar mais ainda.
Comecei a fazer um curso de dublagem pelo mero interesse em entender melhor o processo, melhorar minhas traduções e facilitar a vida dos dubladores que trabalham com meus roteiros. Pois num é que acabei descobrindo um talento? Semana passada me diverti à beça fazendo vozes de desenho animado! E ainda descolei mais trabalho, pois o dono do estúdio estava precisando de tradutores. (E como o mundo é um ovinho de codorna, estávamos ali trocando figurinhas e ele me contou que anos atrás tomou um hiper-ultra-mega-blaster calote do mesmo cliente que me deu o rodo no fim do ano. Meda, viu.)
A reforma do escritório acabou - ficou bem maior do que o previsto e acabamos tendo de pedir penico pro dono do prédio, que bancou a finalização da obra. (Vou mandar fazer uma camiseta de "eu amo o z***". Não fosse ele um cara tão acessível, essa história de escritório já teria ido pelo ralo). Então, tirei essa semaninha de folga pra solidificar o célebro e segunda-feira começo no cafofo novo - mas antes vou plantar arruda, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge e pimenteira ali no canteirinho da frente, que não custa nada.
Outra coisa que aconteceu esses dias e me deixou meio passada foi uma coceira infernal que apareceu na Júlia. Trata daqui, trata dali, pensamos que fosse alergia alimentar. E. Era. Sarna. Sarna, minha gente. Pegou aqui dentro de casa, no quarto do Zé. O médico explicou que escabiose é típica de gente que não toma banho e passa muito tempo sem trocar de roupa, e como a Júlia não vai a lugar nenhum, foi só fazer as contas... E foi o fim. Depois de sete anos, não tenho como e já nem quero mais tentar lidar com essa situação. Cansei de procurar ajuda de parentes, de assistente social, de clínicas de recuperação. Todo mundo tira da reta, inclusive ele. Então, amanhã ele sai daqui. Meus filhos vêm primeiro, sorry. Nem por isso a decisão fica mais fácil.
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Uma das vizinhas é douda de pedra, né. Tem lá suas doçuras e bondades, mas elas têm um preço beeem alto.
Acontece que alguns dias depois do feriado de Finados, apareceu um arranjo de flores mortas na calçada dela (na divisa com a calçada do vizinho de baixo). E era aniversário dela. Ela me chamou aos prantos pra mostrar aquilo. Que era macumba. Que alguém tinha deixado o arranjo ali de propósito, pra desejar coisas ruins no aniversário dela (mais especificamente, que ela secasse e morresse como as flores). E como alguém tinha se dado ao trabalho de andar pela rua com um arranjo daquele tamanho (era grande mesmo) só pra deixar ali? Que devia ser coisa do vizinho de cima. Mas ela nunca tinha feito nada pra ele. Nem pra ninguém. E chorava. E chorava. Eu ali, tentando tirar a mulher do surto, mas quem disse? Uma hora de descabelação.
Passou a semana mal, encomendou missa, teve revertério, tudo por conta da macumba.
E aí eu tava em casa, comentando isso, e meu cunhado bate na testa e começa a rir, estupefato.
Ele e a namorada haviam ido a um casamento em outra cidade e trouxeram um arranjo da mesa. No dia seguinte, acordaram precisando acudir uma emergência médica, tiraram o arranjo do carro e, na correria, esqueceram ali.
Fui lá contar, né. Pra tranquilizar a mulher. Nada, ficou mais puta ainda. Que a calçada dela não era depósito de lixo. Enfim. Não olha mais na minha cara. Acho que ela preferia a macumba.
Acontece que alguns dias depois do feriado de Finados, apareceu um arranjo de flores mortas na calçada dela (na divisa com a calçada do vizinho de baixo). E era aniversário dela. Ela me chamou aos prantos pra mostrar aquilo. Que era macumba. Que alguém tinha deixado o arranjo ali de propósito, pra desejar coisas ruins no aniversário dela (mais especificamente, que ela secasse e morresse como as flores). E como alguém tinha se dado ao trabalho de andar pela rua com um arranjo daquele tamanho (era grande mesmo) só pra deixar ali? Que devia ser coisa do vizinho de cima. Mas ela nunca tinha feito nada pra ele. Nem pra ninguém. E chorava. E chorava. Eu ali, tentando tirar a mulher do surto, mas quem disse? Uma hora de descabelação.
Passou a semana mal, encomendou missa, teve revertério, tudo por conta da macumba.
E aí eu tava em casa, comentando isso, e meu cunhado bate na testa e começa a rir, estupefato.
Ele e a namorada haviam ido a um casamento em outra cidade e trouxeram um arranjo da mesa. No dia seguinte, acordaram precisando acudir uma emergência médica, tiraram o arranjo do carro e, na correria, esqueceram ali.
Fui lá contar, né. Pra tranquilizar a mulher. Nada, ficou mais puta ainda. Que a calçada dela não era depósito de lixo. Enfim. Não olha mais na minha cara. Acho que ela preferia a macumba.
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Uia, é lindo-maravilhoso esse template, mas tá me dando claustrofobia. Esta semana ele roda.
Então, né. Uma das minhas "revoluções" de Ano Novo era arrumar um lugar longe de casa para poder trabalhar em paz. Não tá mais dando pra encarar as interrupções, distrações e sumiços (de anotações, canetas, livros) por conta da presença constante das crianças. Tá uma cirandinha sem-fim: o trampo não rende por causa das interrupções, e não posso ficar com as crianças nas horas em que elas precisam porque tem trampo pra terminar. Tou dormindo uma média de 4 horas por noite e os efeitos disso sobre minha saúde já estão aparecendo.
Aí, estávamos eu e uma amiga-parenta-caléga-mãe-e-tradutora compartilhando as pitangas outro dia e bateu o "tóim": fomos assuntar a disponibilidade de umas salinhas comerciais que já estavam fechadas há mais de um ano, e que por feliz coincidência ficam a dois quarteirões tanto da minha casa quanto da dela. Sacumé, perto o bastante, mas longe o suficiente. Perfeito!
Conversa vai, conversa vem, descobrimos que o dono das salinhas é um amigo dela. Que topou alugar as salas pra gente com todas as facilidades do mundo. Uma delas foi trocar a reforma pelo aluguel.
E a gente foi pra cima na mesma hora, né, porque parecia fácil. Aparentemente, precisávamos só repor uma pia e pintar as paredes, que estavam meio descascadas. Hohoho, santa ingenuidade.
Paredes de gesso e textura por cima do reboco + calhas entupidas + pedras e canteiros não-impermeabilizados do lado de fora = infiltrações e pedaços despencando pra todo lado. Neste exato momento, a aparência das salas é esta:

E infelizmente, não há nada que eu possa fazer a respeito das sancas BREGUÍSSIMAS nem do piso NAUSEANTE (jesuis, como vou conviver com esse xadrez de azul-céu, me pergunto).
Mas, ah. Só de pensar na minha mesa arrumadinha, no silêncio, nos quadrinhos que vou por na parede, nos vasinhos de planta, dá coragi. Ô se dá.
Então, né. Uma das minhas "revoluções" de Ano Novo era arrumar um lugar longe de casa para poder trabalhar em paz. Não tá mais dando pra encarar as interrupções, distrações e sumiços (de anotações, canetas, livros) por conta da presença constante das crianças. Tá uma cirandinha sem-fim: o trampo não rende por causa das interrupções, e não posso ficar com as crianças nas horas em que elas precisam porque tem trampo pra terminar. Tou dormindo uma média de 4 horas por noite e os efeitos disso sobre minha saúde já estão aparecendo.
Aí, estávamos eu e uma amiga-parenta-caléga-mãe-e-tradutora compartilhando as pitangas outro dia e bateu o "tóim": fomos assuntar a disponibilidade de umas salinhas comerciais que já estavam fechadas há mais de um ano, e que por feliz coincidência ficam a dois quarteirões tanto da minha casa quanto da dela. Sacumé, perto o bastante, mas longe o suficiente. Perfeito!
Conversa vai, conversa vem, descobrimos que o dono das salinhas é um amigo dela. Que topou alugar as salas pra gente com todas as facilidades do mundo. Uma delas foi trocar a reforma pelo aluguel.
E a gente foi pra cima na mesma hora, né, porque parecia fácil. Aparentemente, precisávamos só repor uma pia e pintar as paredes, que estavam meio descascadas. Hohoho, santa ingenuidade.
Paredes de gesso e textura por cima do reboco + calhas entupidas + pedras e canteiros não-impermeabilizados do lado de fora = infiltrações e pedaços despencando pra todo lado. Neste exato momento, a aparência das salas é esta:
E infelizmente, não há nada que eu possa fazer a respeito das sancas BREGUÍSSIMAS nem do piso NAUSEANTE (jesuis, como vou conviver com esse xadrez de azul-céu, me pergunto).
Mas, ah. Só de pensar na minha mesa arrumadinha, no silêncio, nos quadrinhos que vou por na parede, nos vasinhos de planta, dá coragi. Ô se dá.
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Domingo, 4 de Janeiro de 2009
Eu entrei na marra e à força nesse ano novo. É uma data da qual eu costumo gostar bastante: calendário novo, outro aniversário à vista, agenda limpinha, eu acho mesmo que é o começo de um ciclo novo. Mas faz três anos que tenho a impressão de estar acordando de um pesadelo dentro de outro ainda mais cabeludo. E de uns tempos pra cá, resolvi que não ia mais acordar. Quem sabe se eu me fingisse de robozinho doía menos, né? Mas é lógico que o trem acabou de desgovernar.
A coisa chegou num ponto em que eu e o Memo acordamos todo dia, nos olhamos e sabemos que o outro também está pensando em entrar embaixo da cama e chupar o dedão em posição fetal. Não é nenhuma grande catástrofe. Não é nenhuma doença terminal, temos um teto sobre nossas cabeças, temos comidinha nas panelas. Todo dia, quando fico sabendo das desgraceiras do mundão de meu deus, reconheço e agradeço pelo meu privilégio. E esse é mais um motivo pra não aceitar mais que a vida seja tão embananada, cheia de sustos, de frustrações, de apertos, de pendências, a ponto de a gente nem saber mais por que está se esforçando tanto.
Eu não estou mesmo com a menor energia pra fazer resoluções. Só de pensar que amanhã é segunda-feira e que o ano começa bombando de fato, tenho vontade de espernear feito criança birrenta: num quero, num querooooo!! Mas já é questão de sobrevivência: mudamos ou morremos.
Pra inaugurar bem o ano, vocabulário da Júlia com 1 ano e meio(só as mais usadas, porque parece que todo dia tem uma dúzia de palavras novas):
Cença (licença) , bidado (agradecendo).
Boi, vaca, tatu, auau, gato, piu-piu.
Vários verbos de comando: tira, senta, entra, deita, vem.
Banho, papá, êite (leite).
Ôpa (roupa), bota (o sapato favorito), tóça (calça).
Bôite (boa-noite), virando de bunda pra cima.
Lóli, Fefê, Beiel, Pida (Frida, a cã)
E comemora fazendo "eba, uhu, fai-fai (hi-five)!"
Vou pensando em trocar o template, ando meio enjoada desse aqui. Vamos ver no que dá.
Um bom ano pra todo mundo. Que a gente seja capaz de encontrar as forças que andaram faltando e de acreditar que as coisas sempre podem melhorar.
Amor,
Pipa
A coisa chegou num ponto em que eu e o Memo acordamos todo dia, nos olhamos e sabemos que o outro também está pensando em entrar embaixo da cama e chupar o dedão em posição fetal. Não é nenhuma grande catástrofe. Não é nenhuma doença terminal, temos um teto sobre nossas cabeças, temos comidinha nas panelas. Todo dia, quando fico sabendo das desgraceiras do mundão de meu deus, reconheço e agradeço pelo meu privilégio. E esse é mais um motivo pra não aceitar mais que a vida seja tão embananada, cheia de sustos, de frustrações, de apertos, de pendências, a ponto de a gente nem saber mais por que está se esforçando tanto.
Eu não estou mesmo com a menor energia pra fazer resoluções. Só de pensar que amanhã é segunda-feira e que o ano começa bombando de fato, tenho vontade de espernear feito criança birrenta: num quero, num querooooo!! Mas já é questão de sobrevivência: mudamos ou morremos.
Pra inaugurar bem o ano, vocabulário da Júlia com 1 ano e meio(só as mais usadas, porque parece que todo dia tem uma dúzia de palavras novas):
Cença (licença) , bidado (agradecendo).
Boi, vaca, tatu, auau, gato, piu-piu.
Vários verbos de comando: tira, senta, entra, deita, vem.
Banho, papá, êite (leite).
Ôpa (roupa), bota (o sapato favorito), tóça (calça).
Bôite (boa-noite), virando de bunda pra cima.
Lóli, Fefê, Beiel, Pida (Frida, a cã)
E comemora fazendo "eba, uhu, fai-fai (hi-five)!"
Vou pensando em trocar o template, ando meio enjoada desse aqui. Vamos ver no que dá.
Um bom ano pra todo mundo. Que a gente seja capaz de encontrar as forças que andaram faltando e de acreditar que as coisas sempre podem melhorar.
Amor,
Pipa
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
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