quinta-feira, 29 de junho de 2006

Boas notícias!

A falta de ar e a dor no peito que minha mãe vinha sentindo há meses foi emboraaaaaaaa!

Eu andava com tanto medo de perder a minha mamãe, me sentindo tão impotente diante de tudo o que vinha acontecendo... Até que a geriatra da minha avó, sabendo que o angu andava encaroçado, matou a charada e ordenou que mamãe voltasse a tomar fluoxetina. Isso foi segunda-feira. Já faz duas noites que a Dadinha dorme feito um anjo, sem falta de ar nem sobressaltos. Era ansiedade, tadica.

Meu avô, ainda no hospital, está melhorando, na medida do possível. Agora precisamos pensar em como cuidar dele quando ele receber alta; ele vai se alimentar através de sonda pelo resto da vida e provavelmente não vai mais andar. Ainda assim, acho surpreendente que ele tenha conseguido superar a pneumonia e a paralisia intestinal: ele está mesmo brigando para melhorar.

Da última vez que passei a noite com ele, levei o notebook recheado de Beethoven e Chopin e coloquei na cabeceira da cama, bem baixinho, pra ele ouvir. Assim que ouviu os primeiros acordes, ele abriu os olhos e fez que sim pra mim com a cabeça, e ficamos ouvindo de mãos dadas. É meu avô que está ali, ainda que ele não consiga mais me chamar pelo nome; ainda restam bons momentos pra gente compartilhar.

Outra boa notícia é que a Dalva, meu braço direito aqui em casa, conseguiu alugar uma casa depois de 6 meses de peregrinação pelas imobiliárias. Ela estava morando conosco desde dezembro, passando pelas situações mais constrangedoras e absurdas tentando alugar uma casinha. Hoje, finalmente, conseguimos fazer acontecer. Parece banal, mas não me entra na cabeça como é que uma pessoa tão correta, que trabalha tanto, pode ser privada do direito de ter o seu próprio canto, seu lar, com suas coisinhas dentro. Não é à toa que ela saiu da imobiliária ontem segurando a chave como quem recebe um troféu.

Bom, então é isso, hoje o meu sór tá mais brilhante.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Passei a noite ho hospital, com meu avô. Ele está em seus últimos momentos. Foi neste mesmo hospital que eu nasci, quase 31 anos atrás. O céu está azul, límpido, como estava no dia em que minha mãe desceu estas escadas comigo nos braços.
O coração da minha mãe tem dado sinais de exaustão. Enquanto faço companhia ao meu avô, ela está em casa, esperando que os remédios dados pelo cardiologista façam efeito. Acho que o coração dela não agüentou ceder espaço pra tanta gente.
Neste momento, a vida e a morte parecem algo extremamente simples, sem mistérios, mas nem por isso desprovidas de significado. Pelo contrário, estou tentando não encontrar significados demais nas coisas que me rodeiam.
Preciso dormir, preciso chorar, mas tenho medo que minhas forças se esgotem depois disso. Nos últimos dias, tenho me esforçado para transformar minha dor e tristeza em raiva. Senão não consigo brigar. Tudo o que temo agora é que a minha briga deixe de fazer sentido.

terça-feira, 20 de junho de 2006

No fundo de casa temos uma área coberta, bem grande, excelente para as crianças brincarem - mas tão árida que elas nunca se animaram.
Coloquei vários vasos de plantas e eles me ajudaram a fazer lanterninhas de papel coloridas para pendurar nas vigas. Aproveitamos o pisca-pisca da árvore de natal para rechear algumas lanterninhas, e o efeito, à noite, é lindo.
Levei para lá algumas tintas, tesoura, pincéis, papelão e cola, e todo dia inventamos alguma coisa juntos.
Improvisamos um tear na estante de ferro e estamos tecendo um tapete de sacolinhas de supermercado. Agora é nosso lugar preferido da casa.
Fuçando a internet à procura de atividades para fazer com as crianças, achei links que são uma preciosidade:
Kiddley, Travessuras e The Toy Maker.
Preciso arrumar uma câmera.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

No último fim de semana fizemos nossa primeira viagem em família com o Memo ao volante. Fomos para Pederneiras, interiorzão paulista. Voltamos cobertos de poeira e morrendo de vontade de ir embora para a roça.

Na volta, os Papões todos perfiladinhos para dar as boas-vindas. Chutei o rabo de um por um.

Depois que os meus avós ficaram doentinhos e dependentes, tenho pensado muito na velhice e nas situações que ela traz. Caras, na boa, espero não precisar dos meus filhos pra nada. Ô raça. Vou tratar de juntar muitos dólares. Assim que eu perceber que tem marcha escapando, pego minha trouxa e me interno num resort geriátrico 10 estrelas.

Estou preparando novidades. Fiquem por perto!

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Cansei.

Faz muitos meses que estou enroladinha em posição fetal, chupando meu dedão e esperando que o bicho papão vá embora.

Mas ele não vai. Ele começou a comer na minha mesa, a mijar de porta aberta, a chamar os amigos prum churrasco na minha casa, a trazer as minas dele pra trepar na minha cama.

Eu cansei de ficar acuada, de coração disparado, estendendo a mão com um sorriso forçado pra acarinhar a cabeça do forgado: "Papão bonzinho, bonzinho". Ele não é bonzinho. E nem eu tenho de ser.

Eu nem sei se alguém ainda vem aqui. Mas aqueles que vêm podem agarrar ali uma vassourinha e me ajudar a tirar a poeira desse blog e a abrir as janelas pra luz entrar, que eu não quero mais me esconder de ninguém.

Vem ni mim, Papão.