quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

Momento Calvin

-Pai, de que marca é a sua furadeira?

-É Bosh, filho.

-Essa marca é boa?

-Muito boa.

-É forte?

-É, sim.

O menino vai brincar e, minutos depois, volta com mais uma pergunta:

-Pai, se a furadeira Bosh cai no chão, ela quebra?

-Claro que não.

-Não mesmo, né, pai?

-De jeito nenhum.

...

-Pai, eu derrubei a sua furadeira.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Tem uma coisa que me faz chorar: não saber desenhar. Juro por Deus. Quando criança, eu tinha a esperança de que um genezinho herdado do meu avô, professor de desenho e de piano, acordasse e se manifestasse, e então eu conquistaria o mundo. Mas meu avô foi muquirana e não transmitiu o legado do talento artístico pra nenhuma das gerações seguintes, até onde pude constatar. Então acontece que de vez em quando – tipo agora – eu travo as quatro rodas, pulando de um canto pra outro, espiando os desenhos alheios e uivando de inveja.

Humilhação mesmo é quando eu vejo o que esse cara faz com os bonequinhos cabeçudos que eu sei desenhar desde os 4 anos. Ele faz meus bonequinhos parecerem retardados. E lobotomizados.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Mendiga-se uma agenda.
(Sob efeito do novo vício).

Juro por deus, tem dia que a tentação de enfiar as pestes num colégio interno é tão, mas tão sedutora.

(Estou parecendo a Lynette, de Desperate Housewives.).

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Estou preocupada comigo. Hoje passei numa loja pra ver material escolar pra mim, e quase saí de lá agarrada a um fichário cor-de-rosa, uma agenda de cores cítricas e um caderno que vinha com figurinhas pra colar e as folhas decoradas com florezinhas. Saí de lá correndo. Mas o que que eu tou pensando, hein? :))))

sábado, 15 de janeiro de 2005

A Laura se jogou do berço. Encontramos a bichinha já no meio do corredor, chorando, puta da vida. Não quebrou nada, thanks god. Mas daqui pra frente ela vai dormir é no colchão.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

Eu estava até hoje lamentando pelos meus bloguinhos deletados, quando achei isso aqui: http://www.archive.org/web/web.php. Essa ferramentinha mágica encontra arquivos de sites que já partiram dessa pra melhor. E com ele consegui resgatar todos os textos, comentários e o livro de visitas do meu primeiro blog, o Veia. Pena que os do outro Casulinho, da época do nascimento da Laura, foi pro beleléu dos beleléus, é irrecuperável.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

Minha mais nova obsessão: sobrancelhas. Por Deus, alguém ter que dar um jeito nas minhas.
Eu estava lendo e rindo muito com esse texto, quando me dei conta de que sou o extremo oposto disso tudo, e portanto, tão abominável quanto.
Eu raramente comento em blogs alheios, e mais raramente ainda respondo aos comentários no meu blog de forma dieta. Eu não mando e-mail. Eu não peço link, e também não linco ninguém. Eu largo o blog sem atualização por milênios. Eu nunca consegui brincar direito de fotolog, nem de orkut, nem de lista de discussão, nem de nada que já esteve na moda.
Gente, eu não sou low profile. Eu sou o Urtigão. Devo pendurar uma plaquinha permanente, avisando que num é falta de amor pra dar, mas sim excesso de jacuzice?
Anyway, essa pode ser a minha resolução de ano-novo: virar gente.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

Essa época do ano é foda. A gente tem um monte de amigos e parentes, morre de saudade, e, quando dá, chama um ou outro pra vir visitar , ficar perto, curtir. E, quase sempre, é uma delícia. Mas tem que ter aquele visitante-mala, que mata não só a saudade acumulada do tempo que passou, como também a possível saudade de todos os tempos ainda por vir. Caraio.
Não sei onde essa gente enfia o bom-senso, mas juro por deus, fica muuuuito difícil retomar a amizade como se nada tivesse acontecido depois de aturar uma coleção de grosserias dentro do seu sagrado lar.

Então, caro leitor, se você for convidado a passar uns dias na casa de alguém, e se resolver aceitar o convite porque gosta da pessoa, peloamordedeus, olha a compostura. Não se comporte como uma celebridade, não trate os seus anfitriões como vassalos. Seja invisível, for god’s sake. Arrume a sua cama. Lave a sua louça. Leve uma graninha pra ajudar com o rango, se for ficar muitos dias. Se não der pra levar grana, não coma como um viking. Não faça comentários grosseiros sobre a casa, os amigos, os filhos de quem está te recebendo. Ache tudo lindo, não perca a chance de fazer um agrado, seja útil. Ou então, nem vá. Receber é uma arte, e eu dou conta de receber muito bem com meus copos de requeijão, com as minhas roupas de cama que não combinam, com meu arroz-feijão-bife-salada. Pode faltar em apresentação, mas sobra em amor e em cuidado. Mas, meu, faça por merecer.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Eu preciso, eu quero, eu devo parar de comer porcaria. Tenho que largar essa vida de amanhecer comendo pizza de onti com coca-cola. Principalmente agora, que ganhei duas calças 38 de Natal e não tenho como trocar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2005

Uau, quanta sutileza no comercial do Carefree, hein? Estou até agora extasiada. A mocinha chegando em casa ao amanhecer, com roupa de noite, dizendo que, quando usa carefree, tem a sensação de ter acabado de sair do banho. Mesmo depois de ter passado a noite fora.

Muito bem, mocinha. Passou a noite fora fazendo o que, hein? E não lavou depois? E ainda deixa pro “protetor diário” a tarefa de neutralizar “possíveis odores”? Eeeeeeeeeeeeeeew!

E mais lindo ainda: quando ela chega em casa, passa pelo cachorrinho, deitado no tapete da porta. Close no cachorro olhando pra cima, farejando alguma coisa enquanto as pernas dela passam.

Quanto mais eu penso, mais nojinho me dá.

Estava aqui me lembrando do dia da inscrição pro vestibular. Passei um dia de namoradinha com o Memo, que largou tudo o que estava fazendo pra me acompanhar. Andamos de ônibus, comemos trash food e passeamos de mãos dadas falando bobagem.

No fim da tarde, voltávamos para casa cansados, sorrindo mole, quase dormindo no balanço da estrada quando nosso ônibus passou por outro, suburbano, cheio de gente em pé. Fiquei espiando as pessoas pela janela e lá no primeiro banco, que passou por último pelos meus olhos, vi um casal se beijando. Não vi o rosto da moça, que estava de costas pra mim, mas o cara tinha uns 35 anos e a pele queimada de quem trabalha no sol. Estava beijando daquele jeito que forma uma ruguinha no meio das sombrancelhas, de olhos bem apertados, a mão segurando a cabeça da moça de um jeito todo terno. Putz, eu sempre fico sem-graça quando vejo beijo na boca ao vivo: as linguonas aparecendo, os barulhos, a baba que um deixa no beiço do outro; sei lá, acabo olhando pra outro lado. Mas esse beijo do ônibus não foi assim, não. A cena durou uns três segundos, mas quase vi uma aura em volta daqueles dois, alheios a tuuudo naquela luz amarela do por-do-sol.

Vim pra casa pensando nisso e quando chegamos, eu não resisti, precisava contar pro Memo. E quando eu comecei a falar ele disse: “Nossa, então você também viu? Achei tão bonito...”

Eu vivo achando uma desculpa nova pra me apaixonar pelo meu marido. ;o)