Gente, tá muito esquisita a coisa.
Entre outubro e dezembro do ano passado, eu e o Memo, juntos, deixamos de receber um dinheiro bem gordinho, relativo a serviços que prestamos e entregamos à risca.
Tentando compensar o rombo, ignorei meu cóccix lascado (não operado) e a necessidade de repouso e trabalhei mais, pra outros clientes, até ferrar com os olhos e os braços também. Não adiantou nada, continua tudo um furdunço, o rombo só fez crescer e as perspectivas são nebulosas.
O preocupante não é a falta de trabalho. Tem muito trabalho, despencando no colo dos lugares mais inesperados. O preocupante é trabalhar, trabalhar, trabalhar e não conseguir receber de ninguém. Eu bem que tentei ignorar a tal crise, mas a mardita me alcançou. A solução? Trabalhar mais ainda.
Comecei a fazer um curso de dublagem pelo mero interesse em entender melhor o processo, melhorar minhas traduções e facilitar a vida dos dubladores que trabalham com meus roteiros. Pois num é que acabei descobrindo um talento? Semana passada me diverti à beça fazendo vozes de desenho animado! E ainda descolei mais trabalho, pois o dono do estúdio estava precisando de tradutores. (E como o mundo é um ovinho de codorna, estávamos ali trocando figurinhas e ele me contou que anos atrás tomou um hiper-ultra-mega-blaster calote do mesmo cliente que me deu o rodo no fim do ano. Meda, viu.)
A reforma do escritório acabou - ficou bem maior do que o previsto e acabamos tendo de pedir penico pro dono do prédio, que bancou a finalização da obra. (Vou mandar fazer uma camiseta de "eu amo o z***". Não fosse ele um cara tão acessível, essa história de escritório já teria ido pelo ralo). Então, tirei essa semaninha de folga pra solidificar o célebro e segunda-feira começo no cafofo novo - mas antes vou plantar arruda, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge e pimenteira ali no canteirinho da frente, que não custa nada.
Outra coisa que aconteceu esses dias e me deixou meio passada foi uma coceira infernal que apareceu na Júlia. Trata daqui, trata dali, pensamos que fosse alergia alimentar. E. Era. Sarna. Sarna, minha gente. Pegou aqui dentro de casa, no quarto do Zé. O médico explicou que escabiose é típica de gente que não toma banho e passa muito tempo sem trocar de roupa, e como a Júlia não vai a lugar nenhum, foi só fazer as contas... E foi o fim. Depois de sete anos, não tenho como e já nem quero mais tentar lidar com essa situação. Cansei de procurar ajuda de parentes, de assistente social, de clínicas de recuperação. Todo mundo tira da reta, inclusive ele. Então, amanhã ele sai daqui. Meus filhos vêm primeiro, sorry. Nem por isso a decisão fica mais fácil.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Uma das vizinhas é douda de pedra, né. Tem lá suas doçuras e bondades, mas elas têm um preço beeem alto.
Acontece que alguns dias depois do feriado de Finados, apareceu um arranjo de flores mortas na calçada dela (na divisa com a calçada do vizinho de baixo). E era aniversário dela. Ela me chamou aos prantos pra mostrar aquilo. Que era macumba. Que alguém tinha deixado o arranjo ali de propósito, pra desejar coisas ruins no aniversário dela (mais especificamente, que ela secasse e morresse como as flores). E como alguém tinha se dado ao trabalho de andar pela rua com um arranjo daquele tamanho (era grande mesmo) só pra deixar ali? Que devia ser coisa do vizinho de cima. Mas ela nunca tinha feito nada pra ele. Nem pra ninguém. E chorava. E chorava. Eu ali, tentando tirar a mulher do surto, mas quem disse? Uma hora de descabelação.
Passou a semana mal, encomendou missa, teve revertério, tudo por conta da macumba.
E aí eu tava em casa, comentando isso, e meu cunhado bate na testa e começa a rir, estupefato.
Ele e a namorada haviam ido a um casamento em outra cidade e trouxeram um arranjo da mesa. No dia seguinte, acordaram precisando acudir uma emergência médica, tiraram o arranjo do carro e, na correria, esqueceram ali.
Fui lá contar, né. Pra tranquilizar a mulher. Nada, ficou mais puta ainda. Que a calçada dela não era depósito de lixo. Enfim. Não olha mais na minha cara. Acho que ela preferia a macumba.
Acontece que alguns dias depois do feriado de Finados, apareceu um arranjo de flores mortas na calçada dela (na divisa com a calçada do vizinho de baixo). E era aniversário dela. Ela me chamou aos prantos pra mostrar aquilo. Que era macumba. Que alguém tinha deixado o arranjo ali de propósito, pra desejar coisas ruins no aniversário dela (mais especificamente, que ela secasse e morresse como as flores). E como alguém tinha se dado ao trabalho de andar pela rua com um arranjo daquele tamanho (era grande mesmo) só pra deixar ali? Que devia ser coisa do vizinho de cima. Mas ela nunca tinha feito nada pra ele. Nem pra ninguém. E chorava. E chorava. Eu ali, tentando tirar a mulher do surto, mas quem disse? Uma hora de descabelação.
Passou a semana mal, encomendou missa, teve revertério, tudo por conta da macumba.
E aí eu tava em casa, comentando isso, e meu cunhado bate na testa e começa a rir, estupefato.
Ele e a namorada haviam ido a um casamento em outra cidade e trouxeram um arranjo da mesa. No dia seguinte, acordaram precisando acudir uma emergência médica, tiraram o arranjo do carro e, na correria, esqueceram ali.
Fui lá contar, né. Pra tranquilizar a mulher. Nada, ficou mais puta ainda. Que a calçada dela não era depósito de lixo. Enfim. Não olha mais na minha cara. Acho que ela preferia a macumba.
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