quarta-feira, 30 de maio de 2007
De ontem para hoje minha barriga "escorregou" uns 10 cm. Está a coisa mais engraçada, pareço o Seu Boneco. As contrações também estão punk. Amanhã cedo tem consulta, e desconfio que antes do fim de semana entro em trabalho de parto.
Estou impressionada com a Laura: até duas semanas atrás, ela mal conseguia fechar um círculo. De lá para cá, os desenhos já ganharam olhos, boca, braços, pernas e cabelo. Morro de rir quando ela atravessa a casa toda de calça arriada procurando o Memo: "Paaaaai, lava meu bumbum?" e antes que eu me ofereça, ela já olha pra mim e fala: "Você não, você tá barriguda."
Bom. Hoje finalmente pegamos a chave da casa nova. Seja o que Deus quiser, nem sei por onde começar. Mas já me rendi ao "se não tem tu, vai tu mesmo." Bring it on.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
...nego brigando comigo porque eu levanto, ou fico enlouquecida, berrando da cama as instruções sobre roupa, sapato, remédio, lição de casa. Repouso my ass. "Mas você não pode ficar nervoooosa!" Não posso, né? Ha. (Sexta-feira perdi o tampão mucoso. Aí tava lá a enfermeira me examinando e me perguntando se eu tava fazendo repouso direitinho. Eu disse: "Ô. Com o laptop no colo, esperando chegar silviço, o gato desmanchando meu crochê de um lado, o Felipe e a Laura se cuspindo por cima de mim, a empregada querendo saber o que faz de almoço, o telefone tocando sem parar, o marido perdidaço no tiroteio." E ela, penalizada: "Uia, fia, vou pedir pra doutora te internar."
...essa quizumba que virou a minha mudança. Marca, desmarca, chave vem, chave vai. É pedir muito saber pra onde vou levar meu bebê quando sair do hospital? Ou tão querendo que eu dê à luz em cima do caminhão de mudança? Que vontade de ir tacar cocô nessa imobiliária, viu.
Sorry, folks. É que é segunda-feira.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Fui à médica hoje e é assim: se eu continuar no repouso e no remedinho e a nenê completar 38 semanas de barriga, fica tudo bem. A médica tava me explicando que o pulmão passa a produzir surfactante na 37a semana, o que reduz bastante o risco de complicações. E no caso da bebéia, é melhor não brincar com a sorte, porque ela é miúda: se chegar às 40 semanas, pesará no máximo
Essa semana, vendo os bebês no berçário enquanto a médica não chegava, percebi que devia muitas desculpas à minha filhinha. Porque acho que me distanciei demais dessa gravidez, por não ter conseguido lidar direito com turbulências antes e durante a gestação. E aí, vou lá no blog da Renata e vejo aquele poço de força, amor e sabedoria, e me sinto um verme. Minha filha passou a existir de verdade pra mim nessa semana, e eu sinto vergonha de dizer isso.
Quando eu recebi a notícia da gravidez, no final do ano passado, estava no meio da minha versão pessoal de Desventuras
E tinha o desemprego do Memo. Me senti a mais retardada das criaturas por ter deixado uma gravidez acontecer no meio daquele cenário. Eu vi tanta merda diante de mim naquele momento que minha primeira reação foi negar. Meu, como eu neguei. E, taque pedra quem quiser, mas eu estava decidida a não levar a gravidez adiante. Transtornada, louca, desesperada.
Marquei a entrevista com um médico. No dia e hora marcados para essa conversa, meu avô morreu. Era aniversário dele. E eu adiei o médico. No dia seguinte, a caminho da cidade onde seria o enterro, o carro que levava minha avó e meus primos sofreu um acidente feio, feio, do qual todos saíram vivos e inteiros quase que por milagre. E eu adiei de novo. E no dia seguinte a esse, nosso carro foi roubado. Quer dizer, né. Eu li uma mensagem nisso tudo, e resolvi aceitar a gravidez. E aceitei. Mas aceitei assim, bem devagarinho. Um pouco por dia. Achei que a essa altura, aos 8 meses de gravidez, já estava tudo resolvido na minha cabeça.
Essa semana eu percebi que estava só fazendo de conta que não era comigo. E não estava conseguindo entender ou enxergar isso, porque essa não sou eu. A Priscilla que eu conheço adora gravidez, barrigão e bebezinho novo. E eu, até agora, estava só chateada com as perspectivas nebulosas, as dores, a solidão. E tentando sorrir um sorriso torto, esperando me contagiar com o carinho vindo de fora. E olhem, cada pacotinho, cada carta, email ou beijo assoprado pelo blog teve peso de ouro, vocês não avaliam.
Olhando os bebezinhos pelo vidro do berçário, pensando em tudo isso, eu fiz as pazes comigo e acolhi a minha filha. Domingo faremos a mudança para uma casa nova e eu decidi começar tudinovo de novo. Esquecer de uma vez o assalto, o roubo do carro, o alcoolismo do Zé, a fase suicida do Gabriel, a montanha-russa profissional do Memo, a doença do meu avô, todas as cacetadas que foram se emendando e me mudando nos últimos dois anos, me distanciando daquilo que eu acreditava ser.
A Renata tem razão. É assim que alguns bebês salvam a vida de suas mães: dando a elas a oportunidade de nascer de novo.
(Esse é o tipo de post que me dá vergonha. Estou me expondo demais? Estou sendo muito melosa? Estou me repetindo? Ao mesmo tempo, é um tremendo alívio conseguir colocar tudo isso
terça-feira, 22 de maio de 2007
sábado, 19 de maio de 2007
"Mãe, tem hora que eu fico tão inspirado (juro que ele usou essa palavra)! Eu paro e penso assim: "Eu tô vivendo! Eu tô vivendo!" Cê já se sentiu assim?"
Claro, tive que espremer, apertar, agarrar e encher a camiseta do moleque de ranho e lágrimas. Quando finalmente desgrudei, tinha duas rodinhas de leite na minha camiseta. Ele, meio desconcertado com meu chororô, tentou - e conseguiu - me fazer rir:
"Ije, mãe, olha, seu mamá também chorou."
quinta-feira, 17 de maio de 2007
E tenho ficado aborrecida por gastar a minha pouca energia brigando com meus filhos, repetindo a mesma coisa todo dia, todo dia, todo dia. Eu me lembro bem que aos 8 anos ninguém precisava pegar no meu pé para eu limpar direito a retaguarda, e que muito antes dos 10, escovava meus cabelos sozinha. O corpo mole deles me deixa perplexa, preocupada, indignada.
E tomo como afronta pessoal nego deitado no sofá gritar "mããããe, traz leite?", esperando que eu arraste meu barrigão de onde eu estiver para preparar e servir um copo de leite, que depois de vazio será deixado no chão da sala até o dia seguinte, se eu não recolher. E eu não recolho, né? E é só eu abrir a boca para mandar recolher, que a resposta me corta, num tom acima do que eu estou disposta a permitir: "credo, caaaaaaaaalma, mãe!" Como assim, calma? Eu gritei? Bati? Xinguei? Por que você acha que tou nervosa, Pedro Bó? Mas aí já tou nervosa mesmo, com vontade de pegar pelos colarinhos. E de vez em quando, eu pego mesmo. E aí fica todo mundo me olhando como se eu fosse o Alien.
Pois é. Como diz a Fal: vai, lacraia.
terça-feira, 15 de maio de 2007
domingo, 6 de maio de 2007
Casas com cômodos secretos. De repente, abrimos uma porta e oh! havíamos esquecido desses cômodos!
Viagens de trem, sempre atrapalhadas. Ou eu desço/subo na estação errada, ou me perco das pessoas que deveriam estar comigo.
Ando com saudade de trabalhar. Faz mais de mês que não traduzo nada.
Não sei por que eu venho aqui.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Diante disso, suspenderam o antibiótico e solicitaram urocultura, pra identificar qual é o bicho que está morando no meu xixi. O resultado do exame sai em 15 dias.
Enquanto isso, fico em casa repousando, tomando água e esperando que a infecção não desande até o resultado do exame.
Saco. Cheio.